
Protecção á Franceza
Que vem a ser ter entrado
Dias antes do Natal
Tropa estranha em Portugal
Mal calçada, e mal vestida,
Esfaimada, e intorpecida
De cançasso, ou de fraqueza?
He protecção á Franceza!
Que vieraão cá fazer,
Sem lhes mandarmos recado?
Comerem-nos pão, e gado,
Pondo tudo em cofuzão!
Desta gente a protecção
Tem diversa natureza
He protecção á Franceza!
José Daniel Rodrigues da Costa, 1808
Rapidamente a acção dos franceses transforma em ódio a simpatia que, antes, algumas pessoas tinham pelos ideais da Revolução Francesa:
Se inda houver, o que não creio,
Maniacos desgraçados,
Que sejão apaixonados
Da aleivosia Franceza;
Tomemos a grande empreza
De lhes curar a loucura;
Porque dos Doidos a vêa
O que preciza he corrêa.
Onde está o Patriotismo
Honra de antigos varões?
São heroicas acções,
Ser traidor, ser de má fé?
Apoiando só quem he
Usurpador, e Tyrano?
Para curar estas falhas,
Récipe; chicote, e palhas.
António José Maria Capela, 1808
Décima
Entre os titres Generaes
Entrou hum de genio altivo,
Que ou era o diabo vivo,
Ou tinha os mesmos sinaes:
Aos alheios cabedaes
Lançava-se como setta;
Namorava branca e preta;
Toda a idade lhe convinha;
Comsigo tres = Emes = tinha,
Manhozo, Máo, e Manêta.
Idem