
Roubei esta imagem daqui. Ninguém me há-de levar a mal por roubar cravos em Abril!
Porque o chedre sempre torna à sua urzeira
Salgueiro Maia, Aspirante na Escola Prática de Cavalaria
Salgueiro Maia, Alferes em Moçambique
Mas não! É o trabalho do David Borges do 7.ºB. Dele e da família, tal como alguns dos outros aqui publicados. Refiro a família porque me parece muito bonito que ela se reuna em torno de um projecto escolar dos filhos. Eles sentem-se acarinhados e a sua vida escolar ganha com isso, bem como toda a Escola e a comunidade.
Em baixo estão mais duas imagens do mesmo trabalho. Repare-se na atenção com que foram trabalhadas as colunas (fuste e capitel correctíssimos da ordem dórica); a arquitrave, o friso (muito bem dividido em tríglifos e métopas); o frontão (onde não faltam os relevos e o fundo de cor garrida) e o telhado de duas águas.
Este trabalho é, sem dúvida, o vencedor a bsoluto!
Também em 3D, merece destaque especial o trabalho do André Ribeiro do 7.ºB!
Dos trabalhos em papel, realço este, da Yara Castro do 7.º C. A Yara, tal como o André, compreendeu muito bem a importância que a cor tinha na arquitectura da Grécia Antiga. Também ela se encantou pelo Parténon e desenhou-o numa perspectiva que lhe destaca a imponência, apesar de não ser um templo de grandes dimensões!

A Rita Geraldes, do 7.ºB, merece o prémio da representação mais original: massinhas e arroz combinaram-se, nas suas mãos, para esta representação originalíssima do Parténon! Que bonito!
Os dois trabalhos que se seguem motivaram a inclusão deste artigo neste espaço: não sei se é por serem feitos a lápis, mas a verdade é que não consegui amazená-los nas fotos do Sapo. Como não quis deixar de os mostrar publicamente, tive que recorrer a este estratagema!


foi o único que representou um templo de ordem jónica que, como vemos, é muito mais elaborada do que a dórica;
aqui não se vê bem, mas as caneluras do fuste estão lindíssimas e perfeitas, tal como a base da coluna, de que se não esqueceu, nem das bandas sobrepostas da arquitrave, etc.
Parabéns a todos e ... BOAS FÉRIAS!
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Nota: não pude incluir trabalhos do 7.º D porque estão a ser feitos em colaboração com a disciplina de EV.
O senhor ministro da economia subscreveu uma campanha alarve palavra que, caso o senhor ministro não saiba, significa selvagem, rude, indelicado e ignorante. Caso também não saiba, o adjectivo vem do árabe al-‘arab e, enquanto substantivo, tem ainda a acepção de salteador. Isto nos nossos dias porque, originariamente, era usada no plural e significava, simplesmente, os povos árabes. Chamamos evolução semântica ao fenómeno.
Tal como alarve, também Algarve vem do árabe e quer dizer o Ocidente (de al-garb). Ora, o senhor ministro da economia decidiu subscrever uma campanha cujo título é ALLGARVE para, diz ele, associar a ideia de “total” (do inglês all) ao Algarve! E o senhor ministro considera a ideia interessante! E o senhor ministro não tem vergonha de o dizer!
Alterar a etimologia das palavras é assaltar uma língua. Quem suprime um bem a outrem está a praticar um assalto. Ao aceitar suprimir a etimologia de uma palavra portuguesa, o senhor ministro está a assaltar o património nacional! Fá-lo por alarvidade! Não a tem, mas devia ter vergonha (do latim verecundia: reserva, pudor, respeito por alguém ou por alguma coisa).
Tudo isto, no entanto, tem um sentido: a supressão do ser nacional que se traduz na transformação dos cidadãos em seres vazios de memória que é o mesmo que dizer: ocos de conhecimento. Não me refiro, apenas, à campanha do senhor ministro da economia que facilmente passaria por tonta, se não fosse o contexto em que vivemos.
O contexto em que vivemos é o seguinte:
- ataque ao sistema de ensino de modo a que nada seja possível ensinar: as novas gerações de professores terão formação científica em coisa nenhuma. As gerações saídas do novo sistema serão um nada sobre o qual os governantes poderão inscrever qualquer coisa e o seu contrário;
- ataque ao conceito de direito das populações alegando os direitos das maiorias. Este está plenamente alcançado, vendo-se o povo do interior do país completamente só na luta pela manutenção em funcionamento das suas escolas, centros de saúde, maternidades, hospitais, postos de correio, etc.
- criação de novo código linguístico, dividindo-se este em duas versões. A primeira traduz-se na adopção de eufemismos de modo a que a realidade jamais transpareça das palavras (veja-se o faltar à verdade; a interrupção voluntária da gravidez, etc.). A segunda versão consiste em reduzir o léxico em número e elegância, enquanto se recheia o discurso de palavras estrangeiras para que não haja muitos cidadãos capazes de o decifrar. Porque se reduz o léxico, é imperioso que muitos significados sejam acrescentados às palavras que sobreviveram: o significado que importa a quem fala, que não é senão aquele que tem o poder. Só neste caso se compreende como é que o senhor primeiro-ministro tem sido classificado de “tribuno” pelos media obedientes e ignaros.
Quem leu 1984 de Orwell sabe bem do que estou a falar. Na novilíngua imposta aos cidadãos – o INGSOC – o Ministério da Verdade tem o seguinte lema: Guerra é paz / Liberdade é escravidão / Ignorância é força. Por todo o lado, fotografias gigantescas do Grande Irmão afiançam que ele vela por ti. Ah! É verdade: também o nome das terras foi mudado!






Lisboa tem barcas
agora lavradas de armas
Lisboa tem barcas novas
agora lavradas de homens
Barcas novas levam guerra
As armas não lavram terra
São de guerra as barcas novas
ao mar mandadas com homens
Barcas novas são mandadas
sobre o mar
Não lavram terra com armas
os homens
Nelas mandaram meter
os homens com a sua guerra
Ao mar mandaram as barcas
novas lavradas de armas
Barcas novas são mandadas
sobre o mar
Em Lisboa sobre o mar
armas novas são mandadas
(in: Barcas Novas , 1967)
En Lixboa, sobre lo mar
En Lixboa, sobre lo mar
Barcas novas mandei lavrar.
Ai, mia senhor velida!
En Lixboa,, sobre lo ler
Barcas novas mandei fazer.
Ai, mia senhor velida!
En Lixboa, sobre lo mar
Barcas novas mandei lavrar.
Ai, mia senhor velida!
En Lixboa,, sobre lo ler
Barcas novas mandei fazer.
Ai, mia senhor velida!
Barcas novas mandei lavrar
E no mar as mandei deitar.
Ai, mia senhor velida!
Barcas novas mandei fazer
E no mar as mandei meter.
Ai mia senhor velida!
Joan Zorro
Eis, como, um poema repleto de alusões eróticas se transforma em poema contra a guerra colonial (atente-se no ritmo e na repetição das palavras): a guerra não faz sentido porque As armas não lavram terra.
Fiama Hasse deixou-nos hoje. A minha memória não partilha do esquecimento a que tem sido votada.

A sua ancestralidade pode ser atestada pelas inúmeras pinturas rupestres que foram deixando pelos caminhos do tempo. São caçadores-recolectores, autênticas relíquias vivas do nosso passado humano. Usam uma linguagem de estalidos (representada graficamente por !) e o nome que se dão a si próprios pode ser traduzido por “Pessoas”. São geralmente conhecidos pela designação inglesa, “Bushmen” que adaptamos para “Bosquímanos”.
Os !Kung vivem no deserto do Kalahari que não é um deserto de dunas, antes, uma espécie de savana que ocupa uma extensa área partilhada pelos actuais territórios da África do Sul, Namíbia e, sobretudo, Botswana. A Norte, algumas franjas entram por terras angolanas. O Kalahari é atravessado por alguns rios que determinam os caminhos dos !Kung e tem época de chuvas que permite que a vida vegetal e animal sejam abundantes. O modo de vida deste povo do deserto que, inesperadamente, passou a contar com uma garrafa de coca-cola, ficou ternamente registado no filme de Jamie Uys, Os Deuses Devem Estar Loucos.
Os San abrigam-se em cabanas que constroem recorrendo à vegetação alta que fazem assentar sobre uma estrutura de ramos. Os homens dedicam-se à caça e não importa os dias que demore até capturarem uma presa, porque a maior vergonha é regressar ao acampamento sem o suprimento de carne necessário. Caçam usando lanças feitas com as próprias mãos, com pontas de sílex (?) habilmente trabalhadas e que embebem em veneno eficaz. Sobre as mulheres recai a obrigação de serem elas a garantir o sustento diário, recolhendo frutos e raízes. Com que mestria o fazem!
Onde nós não vislumbramos nada a não ser areia, elas abrem um buraco fundo com as mãos e encontram raízes enormes que o saber ancestral lhes ensinou a descascar bem com as suas lâminas de pedra e a pisar cuidadosamente para lhes extrair o suco venenoso. Depois resta uma farinha que assam sobre as brasas da fogueira pequena. Quando escasseiam as bagas e os frutos vão-se embora, seguindo os trilhos do rio. Pelo caminho vão deixando registos nas pedras com as suas magníficas pinturas rupestres ao ar livre.




Painel de azulejos representando o presépio (Convento da Madre de Deus / Museu Nacional do Azulejo)



Abraão estendeu a mão e agarrou a faca, para sacrificar o próprio filho. Mas, do céu, o mensageiro do Senhor chamou por ele: “Abraão! Abraão! (…) E Deus disse-lhe: “Não levantes a mão contra o menino; não lhe faças nenhum mal.(…)Abraão voltou-se e viu atrás de si um cordeiro que estava preso pelos chifres a um arbusto. Foi buscá-lo e ofereceu-o em sacrifício, em lugar do seu filho. Génesis, 22, 10-13

Há uma semana, estas palavras pareceram-me uma porta aberta. Hoje, a náusea só me deixou sentir um nó na garganta.
(1) Pelos vistos não fui a única a dar importância à coincidência das datas. No seu editorial do dia 1 de Janeiro no DN, António José Teixeira faz notar isso mesmo.